domingo, 4 de dezembro de 2016

Depois deste vídeo, não preciso falar mais nada sobre o óleo da moto nunca mais...

Mas bah, me conheço, sei que não vou parar...

Este vídeo me foi indicado pelo leitor Walter Vecchi, a quem agradeço imensamente!

Assista este vídeo do Furlani e veja (e ouça) a confirmação de tudo que sempre foi dito aqui no blog!

A tampa do cabeçote desta honda CG 150 sempre revisada em concessionária é aberta e, para minha alegria (e tristeza do dono), olha só que coisa pavorosa de se ver:



Parabéns ao Furlani por mais esta iniciativa de denunciar essa prática danosa das montadoras que vai contra todos os princípios éticos pelas quais elas deveriam se pautar.

É por adotar esse óleo inadequado, esses prazos de troca absurdamente longos e permitir que suas concessionárias entreguem as motos aos proprietários com menos óleo do que seus engenheiros recomendam — enquanto posa de dedicada a 'oferecer o melhor óleo para prolongar a vida útil do motor' — que a honda deixou de ser Honda.

(E não se iluda: yamaha, suzuki, kawasaki, bmw, triumph, traxx, kasinski... todas elas perderam as maiúsculas faz tempo. A dafra nunca teve.)

Viu que beleza que fica o motor usando apenas 1 litro do óleo semissintético mágico 10W-30 e rodando os 4 mil km do intervalo de troca recomendado pela fábrica?

(E olha que semissintético resiste melhor à temperatura do que o óleo mineral, hein?)

Ouviu o que o Furlani disse e eu concordo 100%?

Que o interesse dos fabricantes está em você gastar o seu dinheiro comprando peças e fazendo serviços com eles?

Acabando logo com o motor para você comprar outra motocicleta nova?

Aquele cara dizendo isso no vídeo não sou eu não...

É muito bom saber que não estou sozinho nessa briga.

Além do Furlani e do Madeira, Mecânicos Profissionais, vários leitores também estão ajudando a divulgar essas picaretagens do mercado e abastecendo o blog com novas informações!

Nada se iguala à minha alegria neste momento!

Agora fico só imaginando a cara de bocoió daquele pessoal que sempre defendeu com unhas e dentes a honda e demais fabricantes...

Vá nessa onda de acreditar piamente nas montadoras e sua moto ficará do mesmo jeito que essa aí...

Eu queria ter gravado a reação dos mecânicos da concessionária dafra que fizeram a revisão de 6 mil km da minha Kansas 150 — a única que fiz depois de comprar a moto.

Eu comprei a Jezebel com pouco mais de 3 mil km do casal Lobo & Loba, que sempre a trataram com mais 200 ml de óleo do que o fabricante manda. Fui buscar em Volta Redonda (ela é carioca, ela é carioca... basta o jeitinho dela andar...)

Foi nessa primeira viagem que descobrimos que ela precisava era de 400 ml adicionais ao 1 litro falado no manual, mas a baixa quilometragem não chegou a comprometer significativamente o motor.

Naquela revisão de 6 mil km, os mecânicos ficaram admirados que o motor da Jezebel estava limpo, não tinha borra...

Eles nunca tinham visto um motor assim lá na concessionária...

Detalhe: 

Jezebel sempre usou a quantidade correta de óleo mineral 20W-50 trocado de mil em mil km.

Pois é...

Depois disso a motinho já morou em Santo André, Biritiba-Mirim (SP) e São José (SC).

Comigo ela conheceu Rio de Janeiro (de novo), Ilhabela, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu, Paraty, Florianópolis, São Joaquim, Imbituba, Novo Horizonte, Joanópolis, Águas de São Pedro, Americana, Sumaré, Itupeva, Bragança Paulista, Campinas, Santa Bárbara do Oeste, Serra Negra, fora outras, e continua lépida e fagueira. Não foi graças à dafra.

Hoje Jezebel está na casa dos 95 mil km com cabeçote, pistão e cilindro originais (só precisei trocar o câmbio porque extrapolei o peso máximo em viagens várias vezes).

Sabe porque a CG do vídeo tem tanta borra e aquele vazamento pela tampa do cabeçote?

Porque o aquecimento excessivo devido à pouca quantidade de óleo deforma a guarnição de borracha... além de queimar o óleo e formar borra.

Borra é óleo queimado. E o óleo queima porque o cabeçote se aquece muito, e o cabeçote se aquece demais quando o motor trabalha com pouco óleo e/ou óleo de viscosidade inadequada.

Já minha moto não vaza óleo pela tampa. Nem junta borra.

[Espaço reservado para a foto que alguém vai tirar do cabeçote da minha moto porque eu não tenho câmera fotográfica nem smartphone graças a Deus e ao meu vizinho malandro que fez a limpa do apartamento lá em São José.]

Se o motor dessa honda CG 150 usasse 1,2 litro de óleo a cada troca, se usasse um óleo de viscosidade adequada à temperatura daquela região, e se o óleo consumido fosse reposto a cada 200 ml consumidos para permanecer dentro da faixa de segurança da vareta medidora...

Se fizesse tudo isso, o vídeo do Furlani seria para elogiar o estado maravilhoso do motor e não para mostrar toda essa borraiada.

Fiquei muito contente vendo esse vídeo, você nota, né?

E perdoe minha atitude mesquinha e um pouco vingativa, mas merecidamente curtida:

Aproveito para dizer para aquele fã de carteirinha dos fabricantes que ainda duvida deste blogueiro e não se convence nem mesmo vendo esse vídeo:

Continue a acreditar cegamente nos fabricantes, continue a colocar apenas a quantidade recomendada sem atentar para a complementação, continue a fazer a troca a cada 3 ou 4 ou 5 ou 10 mil quilômetros... 

Continue substituindo o filtro de óleo a cada trocentas trocas a cada trocentos mil km...

A moto é sua, você merece, seja feliz. Hehehehe

Um abraço a todos os leitores, menos a esses aí que eu falei por último,

Jeff :)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Youtubers ofendidos que não reconhecem seus erros

A gente passa alguns dias sem poder entrar na internet e quando volta encontra uma dúzia de comentários irritados do autor do vídeo da troca de óleo que falei outro dia.

Postei todos.
Bom, vamos lá:

Caro Rengaf 2 rodas:

Eu não te expus, eu somente postei o seu vídeo e apontei os problemas que podem surgir por causa do seu vídeo e de outros similares ao seu.

"Postei sem a sua ciência"? 

"Me processar porque peguei o "seu" vídeo"?


Vou te explicar algumas coisas básicas.

Você postou seu vídeo no youtube usando a licença padrão do youtube:
Ao fazer isso, você abriu mão da propriedade do vídeo, ele passou a ser propriedade do google, que é o dono do youtube.

Em troca, o google está te pagando uns trocados proporcionais ao número de visualizações que o "seu" vídeo recebe.

Conforme essa licença que você não leu, qualquer usuário do serviço do youtube pode reproduzir / compartilhar (share) o "seu" vídeo — desde que não pratique nada condenável perante a lei e as regras de uso do youtube.

Visualizações do "seu" vídeo no meu blog entram na sua conta, são contabilizadas para você.

Sua irritação não faz sentido, você está ganhando views com o meu blog, está reclamando do quê?

De ter sido "exposto"?

Desculpe, mas... 

Foi você quem tomou a decisão de se expor publicando um vídeo com problemas que você não percebeu.

Em vez de reclamar, a atitude adulta seria reconhecer o que está errado e argumentar educadamente defendendo seu ponto de vista.

Idealmente, providenciar um novo vídeo mais rico com o conteúdo adquirido nessa troca de ideias.

Desculpe novamente, estou pedindo demais.

"O cara (sem noção doido pra leva(r) um processo) vem fala(r) que toca(r) no óleo dá câncer."

Não sou eu quem fala, é a honda e mais uma pá de fabricantes quem fala isso em todos os seus manuais técnicos:
Fonte: Qualquer manual de serviços da honda e de outros fabricantes

Como você vê, não sou sem noção e nem sou doido.

Apenas desconhecia que você não acredita que o contato frequente com óleo usado pode causar câncer de pele.

De qualquer forma, desculpe novamente por te avisar. 

Por mim você pode até nadar em óleo usado, não estou nem aí, não é problema meu — só me preocupo em levar conhecimento aos meus leitores.

Naquela postagem, em nenhum momento eu me referi a você ou dei a entender que você seja um "babaca".

Você entendeu dessa maneira.

Quanta irritação injustificada. 

Você precisa melhorar sua autoestima, rapaz.

Por aí falam coisa muito pior deste blog e explicitamente a meu respeito e não me incomodo — estou com a minha consciência tranquila porque não sou eu quem está fazendo um papel lastimável.

Se me apontam algum erro real meu, admito e publico retratação aqui no blog.

Caso você não tenha algum argumento para usar além desse 'eu faço e não dá problema', sinto muito.

Você fazer e não dar problema não quer dizer que outras pessoas não terão problemas sérios por conta do que você não considerou ao publicar o seu vídeo.

Aproveitando, deixa eu falar:

Seu vídeo tem mais um problema grave que não comentei na outra postagem, mas fui lembrado pelo leitor Allt:

Ao esvaziar o radiador, o motor da moto de quem fizer esse procedimento, mesmo que faça tudo certo e não perca nenhum o-ring, irá funcionar por muito tempo a seco enquanto o filtro e o radiador são preeenchidos de óleo.

E nunca é demais lembrar, trabalhará com menos óleo do que o recomendado pelo fabricante porque você não leu o manual do proprietário nem fez o procedimento da maneira correta — não ligou e desligou o motor para medir o nível após a troca.

Não completou o óleo até atingir o nível máximo recomendado pelo fabricante.

Ao recomendar colocar apenas a quantidade da carcaça, você errou feio duas vezes.

São duas coisas que só servem para abreviar a vida útil do motor.

Mas como você disse, Rengaf 2 rodas, a moto é sua e você faz o que quiser com ela.

Por mim você pode continuar fazendo o que você quiser com a sua moto até o dia em que isso te der problema.

Só não induza outras pessoas a fazer coisas erradas.

Quer ensinar alguém, tenha a responsabilidade de publicar um vídeo no mínimo correto e respeitando o procedimento básico determinado pelo fabricante.

Quer enfatizar a "grande sacada" de esvaziar os dutos e o radiador de óleo?

Tenha a responsabilidade de atentar para as consequências e pelo menos alertar àqueles que seguirão suas dicas sobre os riscos envolvidos e como evitá-los.

Por exemplo, oriente sua audiência sobre a necessidade de colocar mais óleo do que o recomendado na carcaça — afinal, é você quem está apontando o dedo sujo de óleo para o número ali gravado.

Oriente sua audiência sobre a necessidade de medir o nível de óleo da maneira correta para que eles não entrem numa fria por tua culpa — afinal, foi ideia sua postar um vídeo orientando o pessoal a fazer isso.

"Cuidado com o processo nas costa(s)"?

Você fez o que fez, postou um procedimento totalmente problemático em desacordo com o fabricante da motocicleta — e vem no meu blog me chamar de "sem noção doido pra leva(r) processo"...

E eu é que tenho de ter cuidado para não ser processado?

Não tenho o menor receio.

Não fui eu quem te expôs, foi você mesmo no "seu" vídeo e em uma dúzia de comentários aqui no meu blog. 

Mais fácil é alguém te processar por recomendar 1.350 ml de óleo no motor depois de fazer um procedimento de esvaziamento do radiador de óleo onde essa quantidade não será reposta.

Sabe, ao estimular dezenas de milhares de pessoas a fazer um procedimento de troca de óleo incorreto e desautorizado pela fábrica que potencialmente irá danificar os motores, você está assumindo essa responsabilidade.

Um bom conselho:

Tenha cuidado com os processos nas costas.

Seja feliz,

Jefferson

Aviso aos leitores — novo email para contato

Olá, pessoal!

Meio afastado por estes dias, mas está tudo bem.

Bom, tudo bem, daquele jeito, né?

Volto a postar quando for possível...

Mas o motivo de eu estar aqui hoje é que meu gmail está com a caixa de entrada entupida e não consigo livrar espaço.

Apaguei uma tonelada de mensagens com anexos e continua bloqueada, então quem quiser se comunicar comigo, por favor, use o novo email:

jefferson.tradutor@hotmail.com

Desculpe o inconveniente, estou atualizando também naquelas postagens onde eu menciono o email.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Que brasileiros são esses?

Que tipo de gente (gente?) são esses donos de smartphones que falei na postagem passada?
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2016/11/nao-socorreram-meu-marido-para-gravar-video-diz-mulher-de-vitima.html

É isso que me desanima e me faz ter vontade de fechar janelas, olhos e ouvidos para o mundo.

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O problema gravíssimo dos vídeos de dicas da internet

Dicas e procedimentos de troca do óleo veiculados na internet são na maioria das vezes bem intencionados...

Infelizmente, também na imensa maioria das vezes trazem mais prejuízo (e risco de vida) do que qualquer vantagem prática.

Veja este vídeo curtinho sobre a troca do óleo de motos do tipo yamaha (mas aplicável a qualquer moto com radiador de óleo):



O autor destaca os pontos que ele considera principais — soltar os tubos que conectam o cárter ao radiador de óleo, limpar os alojamentos do filtro, prestar atenção à posição correta de instalação do filtro, e enfatiza a colocação da quantidade gravada na carcaça.

Para começar, o autor do vídeo gasta um bom tempo mostrando um inútil "teste de viscosidade" do óleo contaminado com os dedos.

Ele não sabe que o contato frequente com óleo usado causa câncer de pele.

A principal recomendação do autor do vídeo — soltar os tubos entre o cárter e o radiador a fim de eliminar totalmente os restos de óleo velho — é causadora potencial de um problema extremamente grave:
Imagem: Comentários no próprio vídeo.

Aí você me pergunta:

O-rings? O que são O-rings?

O-rings são aneizinhos de borracha que fazem a vedação entre os tubos e a carcaça do motor.
Imagem: http://www.gaxetas.com.br/content/produtos/Categoria.aspx?id=23

Ao serem instalados, eles se deformam para se adaptar e vedar perfeitamente a conexão.

Poderão não vedar perfeitamente se forem reinstalados — daí a recomendação de serem trocados por novos todas as vezes que forem removidos.
Imagem: http://www.gaxetas.com.br/content/produtos/Categoria.aspx?id=23

Um pequeno vazamento por esses O-rings poderá não ser percebido porque irá acontecer somente com o motor em funcionamento.

Além disso, existe outro risco ainda mais grave:

O-rings são pretos e muita gente nem imagina que existem.

Não são colados — não podem ser colados — mas apenas encaixados nas conexões como se fossem arruelas.

Ao soltar os tubos para drenar completamente o óleo, os O-rings pretos irão cair e desaparecer no meio do óleo usado preto que será descartado.

Na hora da montagem o proprietário leigo, o mexânico experiente e o mecânico distraído irão se esquecer desses dois pequenos detalhes e parafusar os tubos sem os anéis de vedação.

Com a vibração do motor não amortecida pela borracha, os parafusos irão se afrouxar e permitir o vazamento de todo o óleo bombeado até o cárter ficar completamente seco.

Todo parafuso que você solta em uma moto correrá o risco de se afrouxar, então quanto menos você mexer onde não deve, menos riscos você correrá.

Até mesmo os parafusos do filtro de óleo — e é por isso que critiquei o procedimento do manual da yamaha que pede a remoção de um parafuso que potencialmente só trará problemas.
Não é troca, é vazamento por erro de montagem.

Que o diga minha amiga WD±40 carioca, que descobriu a мороженое que fizeram na sua Teneré depois de rodar 20 km com a moto perdendo óleo graças a essas artimanhas praticadas por mecânicos — mecânicos de uma oficina de confiança.

Se o óleo tivesse ficado no caminho da roda traseira, minha amiga teria caído no meio do trânsito pesado da avenida Brasil no Rio de Janeiro na hora do rush.

Felizmente ela não caiu e pôde ir cobrar a demissão do infeliz que praticou essa barbárie com a moto dela, e pôde divulgar o acontecido.

Assim mais pessoas não passarão por um perrengue potencialmente mortal desses causado por uma besteira como essa.

Senão, a gente só leria a notícia nos jornais:
Reportagem: http://www.midiamax.com.br/transito/sofre-queda-moto-morre-ser-atropelado-br-163-321207

Algo mais ou menos assim, só que com carros, ônibus e carretas por todos os lados:


окра, você está tão preocupado assim com a eliminação do resto de óleo velho?

Bota 1 litro de óleo novo sem soltar os tubos, liga o motor, faz o óleo circular para retirar o velho do radiador, escoa esse óleo de limpeza e reabastece com o óleo definitivo e faz o procedimento certo até atingir o nível correto...

Mas quer saber?

É o tipo de preciosismo desnecessário... dobra o custo dessa manutenção e traz uma vantagem não mensurável — eu não teria esse custo e trabalho adicional.

Quer ver uma solução ainda mais eficiente e prática?

Troque o óleo com metade dessa quilometragem absurda — ou até menos — para não ficar rodando com essa lama suja dentro do motor — isso sim aumentará de verdade sua vida útil.

Melhor gastar essas 20 merrecas do que fazer a burrada potencialmente fatal de instalar os tubos sem O-rings ou com os O-rings permitindo vazamento — ou rodar longos 5 mil km com óleo totalmente contaminado agindo como uma lixa dentro do seu motor.

Vou finalizar falando de mais um erro gravíssimo nosso velho conhecido e que consegue ser agravado por esse "tutorial".

Quem acompanha o blog já sabe que as montadoras recomendam uma quantidade suficiente apenas para atingir (quando atinge) o nível mínimo de óleo.

Nem vou falar que todas mandam ligar e desligar o motor, conferir o nível e adicionar mais óleo para atingir a marca de máximo do visor ou vareta de medição.

Sem conferir corretamente o nível de óleo após a troca, todo mundo começa rodando já com menos óleo do que deveria.

Mas fazendo apenas o que ele recomenda fazer no vídeo, a quantidade gravada NUNCA chegará sequer ao nível mínimo...

A intenção louvável de evitar a mistura do resto de óleo velho, feita com a maior das boas intenções, acaba resultando na diminuição da vida útil do motor e em risco à vida do(s) ocupante(s) da motocicleta e outros condutores.

Esse é um dos motivos que me deixam desalentado com o povo deste país... ainda mais a moçada cujo smartphone é mais smart que o proprietário.

Escolhi esse vídeo por ser curto, mas estou cansado de ver "tutoriais detalhados" de troca de óleo "conforme o manual", todos repetindo erros como estes apontados aqui.

Por incrível que pareça, os únicos tutoriais de troca do óleo que encontrei até agora feitos por brasileiros recomendando o procedimento correto de ligar e desligar o motor para conferir o nível após a troca foram o do Jaislan — que peca por outros motivos — e o vídeo do nosso leitor Takashi, ambos publicados neste blog.

O mais triste é constatar que aquelas outras dezenas de vídeos feitos por pessoas sem nenhum ou muito pouco conhecimento técnico recebem joinhas aos milhares e são compartilhados entre amigos.

Enquanto postagens como esta com textão e exigindo interpretação e raciocínio, bah, muito longa, nem li.

E assim caminha a humanidade.

Um abraço triste,

Jeff

Como previsto...

Demorou mais do que eu esperava...
Montagem sobre imagem e reportagem: http://www.manchetepiaui.com.br/index.php?sh=shmt&ma_id=2217&ma_titulo=Motociclista%20sofre%20acidente%20ao%20ca%C3%A7ar%20pok%C3%A9mon%20na%20PI-459%20em%20Paulistana

E ainda levou mês e meio para noticiar aqui porque o sistema de alerta do google falhou...

Mas era certeza de que iria acontecer mais cedo ou mais tarde.


Um abraço,


Jeff

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Como funciona a válvula de segurança do filtro de óleo cartucho?

Acordei de madrugada com um sonho terrível:

Eu fazia parte da tripulação da Enterprise nova geração — aquela abominação — e eu estava de rolo com a B'Elanna — até aí, tudo bem. Eu sei, Voyager não é TNG, mas sonho é sonho e estava bom demais.

Ao sermos teleportados para um planeta classe M — aqueles que convenientemente dispensam trajes de proteção e reduzem o custo das filmagens — fomos atacados por um grupo hostil:

Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e Costinha.

Pois é, o Costinha ali não fazia sentido... e ainda assim ele conseguia ser o melhor do grupo.

Sonhos geralmente não fazem sentido, a menos que sejam um alerta de nosso subconsciente — e entendi que o alerta era de que alguma coisa errada estava passando despercebida.

E a primeira coisa que me veio à cabeça às 4:30 da matina foi a postagem de ontem e seu complemento programado para hoje, que vou manter conforme escrita originalmente, mas farei acréscimos intuídos depois desse pesadelo.

A válvula do filtro cartucho mostrada no vídeo de ontem faz parte de um dispositivo de segurança que se desloca conforme a contrapressão causada pelo acúmulo de sujeira em filtros de óleo do tipo cartucho.
Imagem: https://santacruz761.wordpress.com/2010/04/15/filtros-do-automovel-parte-2-filtro-de-oleo/ — lá também há vídeos interessantes explicando o papel do óleo dentro do motor.

A válvula de segurança atua assim:

Se as partículas resultantes do desgaste do motor se acumulassem a ponto de bloquear totalmente a passagem do óleo através dos poros do elemento filtrante de papel, o cabeçote e componentes vitais trabalhariam a seco e o motor se fundiria.

Para evitar isso, a válvula de segurança atua movida pela contrapressão para bloquear a entrada do filtro e permitir que o óleo ainda não filtrado seja liberado para as partes vitais do motor via passagem direta por fora do filtro.

Melhor óleo sujo do que nada — mas esse é um recurso para uso por pouco tempo em uma emergência, tipo uma longa viagem na estrada.

Na postagem de ontem eu disse que "se os fabricantes recomendam quilometragens para troca longas o suficiente para a válvula de segurança precisar ser acionada, o que deveria fazer somente "em condições de uso extremo", é sintoma de que algo está profundamente errado com esse critério de quilometragem adotado pelos engenheiros."

Em relação a este último parágrafo, preciso fazer uma retratação.

Depois do pesadelo, percebi o seguinte:

A explicação dada pelo mecânico e por mim não se encaixava no quadro geral. Que nem o Costinha no quarteto alienígena.

O mecanismo de ativação da válvula é uma mola.

Molas não reagem à sujeira acumulada, mas à contrapressão formada quando a bomba de óleo é acionada.

Ora, de acordo com o que o mecânico falou, a válvula do vídeo parecia estar acionada sem pressão alguma vinda da bomba... o filtro estava até solto em seu alojamento.

Então a conclusão a que cheguei depois de uma noite bem dormida sem dor de dente graças a Deus e ao anti-inflamatório foi de que aqueles filtros são fabricados daquela maneira.

Aquela válvula de segurança não está acionada — os filtros são construídos assim mesmo.

As superfícies mostradas são a parte fixa da válvula que dá suporte à mola, e não a parte móvel da válvula.


Confirmei isso dando um pulo na loja de motopeças e na concessionária honda para conferir com meus próprios olhos a construção desse filtro.

O que verifiquei é o seguinte:

Essas superfícies internas mostradas no fundo dos filtros são fixas e servem de apoio para a molinha interna do cartucho.

A superfície móvel da válvula é a que vai no lado de contato com o motor — eu mesmo acionei com uma caneta pelo lado oposto e constatei.

Se houver uma contrapressão causada por sujeira que restrinja a passagem de óleo, ela se somará à ação da mola e impedirá a abertura da superfície móvel.

O óleo nem chegará a entrar no filtro, sendo desviado diretamente para a parte alta do motor.

O filtro paralelo vendido na motopeças (22 temeridades) tinha a maior profundidade dessa base da mola, e a concessionária tinha outros dois modelos de filtro, o original importado (55 temeridades) e o nacional Hump (31 temeridades).

O Hump é realmente segunda linha da honda (vem em embalagem lacrada com a marca honda) e tem mais espaço livre na saída que o original honda — mas pouca coisa, cerca de uns 3 ou 4 mm a mais.

Cada fabricante tem uma distância diferente de montagem para essa base da mola.

Como essa superfície é fixa, não existe o risco de que aquela passagem venha a se restringir ainda mais.

E mesmo o filtro com menor área de passagem, o original honda, me pareceu suficiente para dar conta de sua missão sem comprometer a lubrificação.

Então me parece que a preocupação do Furlani é exagerada, talvez resultante do cansaço com que gravou a postagem.

O que me decepcionou um pouco, porque fui obrigado a jogar fora toda uma bela teoria da conspiração elaborada com base no que ele disse no vídeo...


My bad...
Minha premissa de que a válvula estaria acionada estava errada e, neste caso específico do filtro, não dá para acusar a honda de nenhuma prática condenável...

A não ser a quilometragem exagerada recomendada para a troca e o uso de um óleo de viscosidade reduzida para as temperaturas de nosso país, que continuam sendo fatos incontestáveis.

Infelizmente, o vídeo não serve como comprovação...

Voltando à postagem original:

Nem todas as motos usam filtro cartucho com válvula de segurança.

Nas motos que usam filtro do tipo centrífugo, como as CG e dafra de pequena cilindrada, essa válvula não existe porque o próprio movimento giratório do óleo faz esse trabalho.

O filtro centrífugo é uma solução barata e que precisa ser desmontado e limpo periodicamente, algo que os proprietários ignoram e que também abrevia a vida útil dos motores.

Somente a troca frequente do óleo evita que isso se torne um problema, mas as fabricantes se empenham em dilatar esses prazos cada vez mais...

Mas de onde vem essa sujeira que entope o filtro?

Uma parte vem do desgaste normal do motor, e outra parte vem do ar necessário para o seu funcionamento.

O motor aspira continuamente uma enorme quantidade de ar através do filtro de ar.

Nenhum filtro é 100% eficiente, ele sempre deixa passar as partículas que são menores que os poros do elemento filtrante.

Essas micropartículas de poeira são abrasivas — é a matéria prima de que são feitas as lixas.

Elas vão para a câmara de combustão e uma boa parte é expelida junto com os gases de escapamento, e outra parte acaba presa na parede oleada do cilindro e pistão. 

Como o óleo é bombeado para lavar essas superfícies, essas partículas de poeira se acumulam no cárter e são retidas no filtro de óleo junto com as partículas de aço, alumínio, bronze e carvão provenientes do desgaste normal das peças do motor.

Além disso, a umidade está sempre presente no ar, não há filtro viável para uso em motores que consiga retê-la.

Parte dela sempre acabará chegando na forma de vapor ou seus componentes até o óleo.

E os componentes do vapor de água H2O são o hidrogênio H e o oxigênio O.

Todo óleo derivado de petróleo contém enxofre S, e a reação entre H, S e O gera ácido sulfúrico H2SO4, que adora corroer alumínio e tudo que estiver pela frente.

Daí vem a necessidade de trocar com frequência adequada o óleo e também os filtros de óleo e de ar, porque dependendo das condições de uso (excesso de poeira ou umidade), o óleo e os filtros são contaminados com mais intensidade e mais rápido.

Basicamente é por isso que é necessário fazer as trocas do óleo e dos filtros de ar e óleo sempre em intervalos adequados e não excessivamente longos.

E basicamente é por isso que as campanhas das montadoras para uso prolongado do óleo com quilometragens irreais só têm um objetivo — fazer seu motor acabar mais rápido.

Mas existe uma "escola de engenharia moderna" que tem a cara de pau de dizer que o óleo nem precisaria ser trocado, apenas reposto...

Como dizia um infame mau caráter, "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade".

E é por isso que vemos na internet tanta gente papagaiando informações erradas que eles pensam que sabem.

Alguns o fazem sem malícia por pura credulidade, falta de conhecimento técnico e falta de capacidade de julgamento, enquanto outros são remunerados para essa "nobre" tarefa.

Outra coisa muito importante:

Quando você mesmo troca o óleo e os filtros, você tem certeza absoluta de que os filtros foram trocados.

Qual o cliente de oficina ou concessionária que vai abrir a tampa e conferir se trocaram mesmo o filtro?

Trocar o óleo e apenas embolsar o dinheiro do filtro na certeza de que o cliente voltará em breve para retificar o motor é o tipo de crime quase perfeito que raramente é descoberto. 

As montadoras têm o dever de fiscalizar a qualidade de serviço de suas concessionárias — elas fiscalizam?

E quem fiscaliza o trabalho dos mecânicos autônomos?

Como em todas as profissões, há gente de todos os tipos por aí.

Confiar desconfiando ainda é a melhor coisa a se fazer.

Por isso têm o meu respeito mecânicos honestos que vêm a público denunciar as mazelas que encontram e conscientizar os proprietários, como o Furlani dos vídeos da postagem de ontem e o Madeira que mencionei na postagem da falta de óleo das ktm.

Um abraço,


Jeff