terça-feira, 28 de março de 2017

Precisa descer na hora de botar gasolina na moto?

Você conhece essa lei paulista idiota que trata todo mundo como bandido até prova em contrário, violando a Constituição?
Imagem e reportagem: http://www.dnoticias.com.br/lei-que-proibe-uso-de-capacete-em-posto-de-combustiveis-passa-a-valer-no-estado/

Os legisladores só perdem tempo e gastam nosso dinheiro com tolices como essas — bandido que é bandido não vai tirar o capacete por causa de uma lei idiota.

O pessoal deveria estar preocupado era em conscientizar os motociclistas da importância de sair de cima da moto durante o abastecimento:
Imagem e reportagem:
http://s2.glbimg.com/TxewalvxYMT_2KWwMYFpF5nd3sQ=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/05/29/estrago1.jpg

O fogo durante o abastecimento pode começar muito rápido, e estar fora da moto aumenta suas chances de sair correndo sem se queimar. Muito.

Em dias quentes em regiões secas o vapor da gasolina já é suficiente para a moto pegar fogo:

Outra vantagem de sair da moto é que, em caso de fogo, ela não cairá porque estará no cavalete.

Com a moto caída, a gasolina vazando do tanque aumenta o incêndio rapidamente, e o que poderia ser a perda de um tanque vira a perda da moto inteira.

A causa principal de fogo durante o abastecimento é o descuido de deixar o tanque transbordar jogando gasolina sobre o motor quente.

Transbordar o tanque durante o abastecimento tem outro inconveniente muito grave:

A gasolina tende a escorrer pelo tanque, o que causa um foco de incêndio concentrado no parquinho de diversões.


E um amigo meu que não vou citar o nome porque não quero passar vergonha conta que não precisa nem pegar fogo para o dano ao parquinho ser considerável... 

O tanque muito cheio começou a transbordar em uma subida e tieve de parar correndo numa padaria para despejar 5 litros de água mineral no barco viking e adjacências. Principalmente nas adjacências.
Imagem: http://fatimarobots.blogspot.com.br/2012/05/barco-viking.html

Esse meu amigo vive apagando mico...

Incêndios em postos de gasolina também podem ocorrer quando um caminhão tanque faz o abastecimento do posto, já falei sobre isso:
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2014/05/policia-investiga-causas-de-incendio-em-posto-de-gasolina-no-recife.html

Taí mais um caso.

Esse é mais um motivo para não ficar sentado na moto...

Fora dela você pode correr ligeiro para longe da encrenca.

Por isso não fique irritado quando te pedirem para sair de cima da moto. 

Aqui no Brasil o pessoal não leva isso a sério, mas ninguém abastece sua moto na Argentina se você não apear da moto.

Lá a gasolina é de verdade e pega fogo fácil.

Basta o frentista fora do Brasil se esquecer dessa precaução e se descuidar no abastecimento que dá nisso:


Começado o churrasco, tentar salvar a moto sofrendo queimaduras é um alto risco de vida.

Queimaduras são instantâneas — e queimaduras em toda a extensão de braços ou pernas são o limite da sobrevivência.

Passou disso, as chances de morrer são grandes porque a grande extensão de pele queimada causa a falência dos rins.

Eles não dão conta de excretar o excesso de sal normalmente eliminado pela pele via suor.

A pele queimada deixa de fazer esse trabalho e aí a coisa fica muito séria.

Então a melhor coisa é sair de cima da moto e, se o pior acontecer, que aconteça somente com ela.

Ocorrendo o pior, lembre de fazer um bom vídeo — com o celular na horizontal — para postar no youtube.

Usarei para a postagem Perdi a moto, mas salvei o parquinho...

Um abraço,

Jeff

domingo, 26 de março de 2017

Óleo sintético, verdades e propagandas

Este vídeo da shell mostra a atuação do óleo dentro de um motor de automóvel e ajuda a esclarecer vários pontos que martelo aqui:

Primeiro vou falar sobre a diferença entre óleo sintético, semissintético e mineral.

Enquanto o óleo mineral é refinado do petróleo, um caldinho de bichos e vegetais mortos acumulado, pressionado, cozido e condensado por centenas de milhões de anos, o óleo sintético é formado por síntese direta a partir do gás natural.

Gás natural é a parte gasosa desse caldinho acumulado, pressionado, cozido e condensado por centenas de milhões de anos.

São moléculas menores e mais leves.

Um óleo sintético puro obtido a partir de gás natural tem moléculas quase todas iguais de um tamanho pequeno bem determinado.

O óleo mineral tem moléculas para todos os gostos, grandes e pequenas, além de outras coisas inúteis que se fossilizaram junto com os pobres dos bichinhos.

Como não tem coisas inúteis como o enxofre, o óleo sintético puro também não tem cor — a cor amarelada vem dos aditivos detergentes e estabilizantes químicos. 

De tudo isso aí vem essa característica do óleo sintético lubrificar melhor.

Segunda coisa:
Imagem e artigo: https://www.autobody-review.com/shop/8696/service-king-copperfield/article/3691/the-pros-and-cons-conventional-vs-synthetic-oil

Todo artigo sobre óleo sintético adora mostrar essa imagem aí de cima, como se as moléculas de óleo fossem grandes bolinhas regulares deslizando sobre uma superfície metálica perfeitamente lisa...

Isso é muito enganoso, porque uma foto da pista de um rolamento (uma das coisas mais lisas que é produzida industrialmente para diminuir o atrito) ampliada 1.500 vezes mostra isto aqui:
Imagem e divulgação: http://dubaimarketingexperts.com/Prototypes/lenco/

A foto de cima à esquerda mostra a superfície da pista de um rolamento sem uso, a de cima à direita mostra o mesmo rolamento depois de rodar um bom tempo com óleo sintético "premium".

Ué, mesmo com óleo sintético bom pra xuxu teve desgaste?

Pois é, né? Que coisa... quem imaginaria? Eu! Eu!

Mesmo a foto de baixo, que mostra a superfície depois de passar pelo processo de micropolimento com um aditivo para melhorar a qualidade da superfície, ainda não é perfeitamente lisa. 

São fotos reais, não é computação gráfica, não é "misticismo" — são fatos.

Eu usei microscópios nos laboratórios de Metalografia do colégio técnico e da faculdade, sei do que estou falando. Nada de computação — naquela época PC era só o partido que não se podia falar o nome.

Qualquer uma daquelas irregularidades superficiais é tremendamente maior que as moléculas do óleo, e ele escoará rapidamente por entre os vales e elevações se não for suficientemente viscoso.

Terceira coisa:

O atrito entre as irregularidades metálicas provoca sua quebra e esse pó de aço duríssimo e outros metais fica circulando dentro do seu motor — isso é inevitável.

Como a shell disse, "o dia em que o seu motor sai da linha de produção é o dia em que ele está em suas melhores condições" — daí pra frente, é só desgaste.

Um óleo de boa qualidade e viscosidade adequada protege melhor contra o desgaste, um óleo inadequado não protege tão bem, mesmo sendo de ótima qualidade química — o que importa é o resultado final.

Se você acreditar no que dizem as fabricantes de óleos e de motos, a parte desse pó metálico que for menor do que os poros e não for retida pelo filtro ficará circulando lá dentro por 3, 5, 6 ou 10 mil quilômetros.

As micropartículas abrasivas ficarão lixando tudo que encontrarem pela frente — camisa do cilindro, mancais e moentes de virabrequim, bronzinas nas motos maiores, rolamentos — mas o pessoal insiste em dizer que o óleo semi/sintético "protege melhor".

Por que dizem isso?

Por que se baseiam apenas no fato de ele durar altas quilometragens sem se degradar...

Não consideram a nocividade dos contaminantes formados inevitavelmente pelo desgaste natural do motor, só raciocinam em termos de durabilidade química do óleo.

Essa é a realidade, mas as propagandas de divulgação do óleo sintético adoram mostrar bolinhas e superfícies perfeitas...

Conceitos simples são fáceis de entender e vendem fácil, conceitos mais complexos envolvem conhecimento técnico que a imensa maioria da população, e muita gente que trabalha nessa área, não possuem.

Dentro do motor a coisa é feia, é porrada, tiro e bomba e não é qualquer óleo que segura o rojão — ele tem que ter coesão, e coesão é sinônimo de viscosidade.

Quanto menos viscoso, mais fino o óleo, mais fácil ele escoará sem formar uma "almofada" hidráulica capaz de isolar as peças metálicas.

Quarto:

Por estar livre daqueles contaminantes inúteis fossilizados no caldinho, o sintético é muito mais estável quimicamente.

Ele não se oxida tão facilmente e não é tão ativo quimicamente quanto o mineral, o que prolonga sua vida útil.

Isso é fato e é correto. 

O errado é usar essa desculpa para justificar intervalos de troca de óleo tão exagerados fazendo de conta que não existem outros fatores sérios.

Quinto:

O vídeo mostra que todo motor gera contaminantes devido ao seu funcionamento, e o óleo os remove.
Imagem: Vídeo acima da shell https://www.youtube.com/watch?v=rGn-w3h5_hw

Para onde vão esses contaminantes?

Os maiores ficam retidos no filtro, mas os menores passam através dos poros e continuam flutuando junto com o óleo, escurecendo-o e lixando as peças. 

Quanto maior a quilometragem de troca, maior a concentração desses contaminantes, mais eficiente será o lixamento interno do motor.

Mas ninguém leva isso em conta na hora de falar da "melhor proteção oferecida pelo óleo semi/sintético".

Dica: Lixamento dentro do motor não é uma coisa legal.

Em sexto lugar, a fabricante do óleo enfatiza que o sintético não produz borra.

Bacana, né?

Então qual o nome disso aqui?
Imagem: Vídeo do Furlani Postagem: http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2016/12/o-que-e-descarbonizacao-e-flush-do-motor.html

Mas se a shell diz que o sintético não forma borra, então por que a gente encontra um monte de borra nos motores das motos que usam o maravilhoso e extraordinário óleo semissintético?

Calma que eu explico, a resposta está no final da página, é só ler até lá — e você não vai gostar de saber.

Em sétimo, a fabricante do óleo mostra o comparativo entre um óleo usado e um óleo novo, e o óleo usado é visivelmente mais espesso, escoa com mais dificuldade que o novo.
Imagem: Vídeo acima da shell https://www.youtube.com/watch?v=rGn-w3h5_hw

Alguns óleos se degradam e afinam (base petróleo naftênico) e outros se degradam e engrossam (base petróleo parafínico).

Isso é característica do campo de petróleo usado como fornecedor de matéria prima para o refino do lubrificante, cada refinaria gera produtos de características diferentes e é por isso que um óleo Mobil ou Castrol não se comporta como um Lubrax ou Motul ou Yamalube.

E o outro motivo para estar espesso é a poeira dissolvida de partículas de desgaste do motor, a "lixa líquida" que ficou lá dentro desde a última troca do filtro. Se é que alguém troca filtros de motores em testes de duração do óleo...

Tem gente por aí que vê o óleo sair que nem uma sopa grossa de dentro do motor depois de rodar altas quilometragens sem troca e fica felizaço da vida. Faz até vídeo para se gabar na internet, coitado...

Já a fabricante — alguém que entende de óleo — usa isso como exemplo para mostrar que o óleo está degradado e em péssimo estado...

Por aí você vê o quanto esse pessoal sem formação técnica que posta vídeos na internet e se gaba de ser muito entendido não sabe borra nenhuma do assunto.

Oitavo, a fabricante do óleo enfatiza a resistência à degradação química.
Imagem: Vídeo acima da shell https://www.youtube.com/watch?v=rGn-w3h5_hw

Um gráfico que não fornece valores fica bonito e passa bem a ideia, mas não serve pra nada — não sabemos o que essa diferença representa em termos reais e proporcionais.

Mas a shell diz que essa resistência à degradação química permite maiores intervalos de troca do óleo — e isso é verdade em relação à degradação química.

Um óleo mais estável tolera quimicamente intervalos maiores de troca... mas há aqueles outros fatores muito importantes. 

Na hora de falar sobre isso, as fabricantes de óleos se esquecem daqueles contaminantes circulando lá dentro do motor... 

Lembra da borra? 

Lembra do pó metálico?

A eficiência do filtro de óleo é responsabilidade do fabricante do motor, a da petroleira acaba no óleo — e o filhote de cruz credo mora na terra de ninguém entre essas duas.

Ou seja, a estabilidade química do óleo permite altas quilometragens, mas a contaminação por partículas de desgaste não permite.

Nem a fabricante do motor fala disso, muito menos a fabricante do óleo — e a encrenca sobra para o proprietário consumidor. 

Nono, se eu não perdi a conta:

A shell falou:

Óleos evaporam. Desaparecem do cárter.
Imagem: Vídeo acima da shell https://www.youtube.com/watch?v=rGn-w3h5_hw

Mesmo um bom óleo sintético tem taxas de evaporação na casa de 10%, a shell assume isso.

E qualquer óleo faz isso muito mais rapidamente se a viscosidade for inadequada para o clima na região de utilização.

Faz isso ainda mais rápido em motores esfriados a ar como os de nossas motos — eles trabalham muito mais quentes que os motores dos carros.

E esse é outro motivo porque a viscosidade precisa ser adaptada para cada local.

Como ele evapora, um óleo de viscosidade inadequada precisa ser reposto com muito mais frequência, daí um dos motivos para sua inadequação.

E é por isso que os motores honda de antigamente usando óleo 20W-50 mineral "tecnologicamente inferior" aguentavam o relaxo de seus donos que não repunham o óleo consumido / evaporado, enquanto os motores novos usando 10W-30 "de alta tecnologia", mas menos viscoso, ficam sem óleo e estouram e trincam cabeçote. 

Décimo, o motivo principal para a inadequação de óleos de baixa viscosidade:

O óleo precisa fazer uma "almofada hidráulica" entre as peças para evitar seu contato direto e minimizar o desgaste.

Se o óleo não tem viscosidade suficiente, ele escoa entre os microcanais e marcas de usinagem microscópicas das superfícies metálicas... piorando o desgaste.

Uma coisa que os engenheiros da honda esqueceram completamente quando adotaram o semissintético 10W-30.

A nova geração se encanta mais com bolinhas geradas por computação gráfica do que com fotografias ampliadas difíceis de analisar.

Ônzimo Undécimo Décimo primeiro, um detalhe do vídeo que permite explicar bem o que é a classificação de viscosidade W.

Veja o comportamento de óleos de mesma viscosidade no frio siberiano de –36°C...
Imagem: Vídeo acima da shell https://www.youtube.com/watch?v=rGn-w3h5_hw

Aquele óleo mineral que não fluiu é um óleo SAE 40, enquanto o shell Helix é um SAE 5W-40.

É para isso que serve um óleo multiviscoso SAE 5W-40:

Ele flui como se fosse um óleo mineral de viscosidade SAE 5 a 36°C negativos e funciona como um óleo SAE 40 a 100°C...

Ou seja, quase não altera altera muito pouco sua viscosidade no frio extremo.

Duodécimo Décimo segundo, o motor de sua moto muito provavelmente não é esfriado a água como os carros.

Por ser esfriado a ar, e praticamente não ser esfriado quando está parado, ele trabalha em temperaturas de até 160 a 170°C, muito mais elevadas que os 115 a no máximo 120°C dos motores de arrefecimento líquido.

Somente motos com motores grandes usam radiadores de água — a menor que conheço é a mvk Fenix Gold 250. E lembrei agora, a dafra Next 250 e a suzuki Inazuma 250.

As condições de temperatura são muito mais severas nas motos esfriadas a ar.

Mas você vai encontrar representantes de montadoras "quebrando o misticismo" sobre o assunto...

E dizendo que motores de motos maiores — motos maiores com arrefecimento líquido que não passam de 115 a 120 graus Celsius — "trabalham mais aquecidos".

E por culpa do óleo mineral!!!!! Quase caí da cadeira.

Motores grandes esfriados a água trabalham mais aquecidos que nossas motinhos sem radiador???

E sem radiador nem sequer de óleo???

Isso é o que as propagandas de óleos semi/sintéticos falam, mas não o que acontece no mundo real...

Quanto à autoridade autoatribuída desse pessoal para "desfazer o misticismo" do óleo...

Por que não comentaram sobre as partículas de desgaste circulando dentro do motor?

Eles tiveram aulas práticas de Metalografia?

Será que fizeram um curso de lubrificação industrial e refletiram sobre o que aprenderam?

Estagiaram no departamento de Manutenção de uma grande montadora?

Sério que o chefe de oficina que manda os funcionários fazerem as trocas de óleo fica em dúvida sobre o tipo de óleo que está segurando?

Não sabe qual é o óleo coa embalagem na mão?

Se a intenção era apenas fazer o pessoal gravar o nome do óleo, isso pegou muito mal.

Ficou mais com cara de propaganda do que de uma apresentação técnica séria desmistificando o assunto.

Pelo menos uma coisa esse último vídeo tem de bom:

Para 5 mil km, os funcionários da concessionária só recomendam o óleo semissintético...

Eles têm mais bom senso que a fabricante yamaha que recomenda o óleo mineral para 5 mil km...

Nada se compara à sabedoria adquirida pela vivência dos problemas na prática.

Décimo terceiro, o mais importante, o fundamental nessa história toda:

UM ÓLEO SEMISSINTÉTICO PARA MOTOS NÃO É UM ÓLEO SINTÉTICO PARA CARROS COMO O MOSTRADO NO VÍDEO DA SHELL.

Um óleo semissintético é uma mistura de óleo mineral com óleo sintético carregada de aditivos para compatibilizar um com o outro.
Artigo sobre óleos: https://escolademecanica.wordpress.com/2007/11/18/oleo-mineral-semi-sintetico-e-sintetico-diferencas/

Só as fabricantes sabem qual a proporção de cada um na composição de um óleo semissintético... 

O óleo semissintético é um produto mais barato híbrido que não possui as mesmas qualidades excepcionais de um óleo puramente sintético...

É pelo fato de o óleo semissintético ser na verdade um óleo MINERAL MISTURADO COM SINTÉTICO E ADITIVOS que ele se degrada mais que um sintético e forma toda aquela borra que a gente conhece e vê nos vídeos do Furlani e outros mecânicos profissionais. Curiosos mostram vídeos de troca de óleo, mecânicos mostram vídeos de motores abertos e endoscopias.

Mas a palavra "semissintéticotem um enorme apelo comercial, dá para vender bem mais caro, e esse óleo que não é tão superior assim é propagandeado por todo mundo como sendo a melhor coisa que existe.

Um óleo que vai salvar o planeta por ser mais ecológico evitando muitas trocas... às custas das vidas de nossos motores.

Tá bom. Não do meu.

Décimo quarto:

Lendo esse artigo acima escrito em 2007, antes da adoção em massa dos óleos sintéticos pela indústria automotiva e pela honda...
Artigo sobre óleos: https://escolademecanica.wordpress.com/2007/11/18/oleo-mineral-semi-sintetico-e-sintetico-diferencas/

... você notará que não há nenhuma menção à possibilidade de usar óleo de viscosidade mais baixa simplesmente por ser sintético...

... e os fabricantes — inclusive a honda para seus carros — não diferenciavam períodos de troca simplesmente pelo fato de o óleo ser sintético.

Aí em 2011 vem a honda e passa a indicar para suas motos (inclusive aquelas para as quais expressamente não recomendava óleo de menor viscosidade) um óleo fino trocado a longos intervalos de troca cada vez maiores com a desculpa de ser "genuíno" semissintético...
Imagem: http://www.revistaduasrodas.com.br/site/noticia/visualizar/916

"Genuíno" por quê?

Que тапиока esse óleo da honda tem para se achar mais genuíno que os outros???

"Desenvolvido pela própria fabricante"???

Me mostrem onde fica a refinaria de petróleo da honda que eu acredito, senão é mais uma baboseira de marketing...

E aí a honda acaba obrigada a dar 7 trocas de óleo gratuitas para deixar a bomba estourar no colo dos proprietários na hora em que pararem de levar as motos nas concessionárias e começarem a fazer as trocas por eles mesmos sem saber os macetes.

Ou fazer a troca com mecânicos doutrinados há 40 anos a colocar apenas a quantidade e "nem uma gota a mais"...
Imagem: Nem lembro mais onde achei, mas também não merece ser citado.

O pessoal aprendeu o ofício nos primórdios quando a honda recomendava 900 ml para a CG e até hoje fica divulgando isso na internet.

Deve ser bom para os negócios colocar 900 ml e nem uma gota a mais, a oficina dele deve ficar lotada de fregueses.

Décimo quinto (e último, prometo):

Se esse óleo semissintético é realmente tão bom, tão revolucionário, tão tecnologicamente porreta, tão melhor para sua moto, então alguém por favor me explique:

POR QUE OS MOTORES DE HOJE NÃO DURAM NEM 20% A MAIS DO QUE DURAVAM OS MOTORES DE ANTIGAMENTE?

SE O ÓLEO É TÃO BOM, POR QUE OS MOTORES DURAM MENOS?

O óleo semissintético não é vendido com a propaganda da alta tecnologia que garante maior proteção ao motor?

Cadê essa proteção e alta tecnologia se os motores hoje abrem o bico muito antes do esperado?

Percebeu a contradição?

Os óleos tão avançados tecnologicamente prometem milagres para a vida de seu motor, mas você não vê milagres por aí...

Os motores estão fundindo e pedindo retífica com quilometragens muito menores do que abriam o bico com os óleos "ultrapassados e de baixa tecnologia"...

Acorda, meu povo!

Usem o raciocínio e o bom senso.

Mas também não comprem briga com esse pessoal, não vale a pena.

Não saiam por aí pregando o que eu digo como se o blog fosse um livro sagrado e o autor uma vaca sagrada um touro sagrado...

As pessoas interessadas que descubram a verdade sobre suas motos por si mesmas.

Funcionários de empresas não deixarão de dizer o que dizem, continuarão dizendo o que a empresa manda dizer.

Não há necessidade de ninguém ficar fazendo campanha para atrair leitores para este blog.

Mesmo porque esse tipo de coisa, apesar de feita com a melhor das boas intenções, acaba ficando mal vista.

Em vez de passar a ideia da divulgação, acaba passando a impressão de que o blog está desesperado por audiência, e não é o caso — mesmo.

Divulgar links para o blog em toda e qualquer discussão na internet lembra aqueles caras que tentam vender produtos para emagrecer, são chatos bagaray.

E aí quem acaba levando a fama de chato (mais chato ainda) é o autor do blog...

Poxa, logo eu que evito sair por aí comprando briga?

Mas que não fujo de uma quando ela chega aqui no blog?

Por favor, não façam isso.

Ninguém é forçado a acreditar no que eu digo.

Quem tem olhos que veja. A frase não é minha.

Um abraço,

Jeff

sábado, 25 de março de 2017

Fusquinha fazendo tonka...

Pra quem gostou da postagem de ontem...

Volta e meia rola йогурт nesses encontros...

Um abraço,

Jeff

sexta-feira, 24 de março de 2017

Taí uma coisa que não se vê todo dia....

E eu pensava já ter visto de tudo na vida...

Carro trepando em moto é a primeira vez.
Imagem e reportagem: http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/09/carro-fica-em-cima-de-pneu-de-moto-apos-acidente-em-campina-grande.html

Espero que não vire moda...

A moto parou para um pedestre na faixa e o carro conseguiu essa proeza.

Ou a moto que merece o crédito, sei lá...

Quando for parar em uma faixa de pedestres, fique atento aos carros atrás de você.

Nem sempre é possível parar com segurança.

Pode ser necessário não parar totalmente.

Se tiver um carro vindo muito perto atrás de você, freie o suficiente para não atropelar o pedestre e alivie momentaneamente a frenagem na sequência.

Isso pode dar tempo necessário para o motorista evitar essa intimidade forçada com sua moto.

Em caso de risco de atropelamento — o seu atropelamento — é melhor arriscar tomar uma multa do que uma fratura. Ou uma trepada.

Um abraço,

Jeff

quinta-feira, 23 de março de 2017

Pilotando sem habilitação

Há vários problemas em pilotar sem habilitação:

Inexperiência, fixação do olhar, distração com os comandos e congelamento no comando da moto...

Medo de frear a moto e cair, falta de domínio da moto...

O acidente aí embaixo foi causado por tudo isso.

Ou desatenção pura e simples.

Veja o vídeo no link do g1.
Imagem, vídeo e reportagem: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/adolescente-e-arremessado-de-moto-apos-colidir-com-carro-no-df-veja-video.ghtml


Considerando a idade (17 anos), concluo que além da desatenção, foi mesmo inexperiência, fixação do olhar e congelamento no comando da moto.

Não pense que pilotar é somente subir em cima da moto e sair acelerando.

Agora ele descobriu que também precisa aprender a frear a moto, precisa aprender a desviar a moto, precisa aprender a dominar a moto.

Não pode ficar só olhando para o velocímetro.

Nem para fusquinhas de placa preta.


Bom, aqui o caso não foi de falta de habilitação, foi só uma desatenção momentânea.

Momentânea mesmo, menos de 1 segundo.

Não se pode distrair nem congelar no comando de uma moto.

Uma coisa fundamental é saber muito bem o que fazer na hora da encrenca.

Isso tem que ser instintivo, não dá tempo para pensar, tem que agir por reflexo.

Aprendendo a andar de moto, nunca saia pilotando por ruas com trânsito sem ter praticado muito bem os comandos da moto em um local isolado.

E preferencialmente não sem antes fazer um curso em moto escola, senão você encontra uma placa de preferencial, não sabe do que se trata e vai parar embaixo de um ônibus.

Ou cai na besteira de tentar fugir da polícia...
Reportagem: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2017/03/motociclista-sem-habilitacao-morre-em-acidente-apos-fugir-da-policia.html

Pilotar sem carteira não é crime, não é motivo para fuga — ninguém vai para a cadeia por isso, resulta no máximo na apreensão da moto e uma multa para o proprietário.

Pagou a multa, um cidadão habilitado pode ir lá retirá-la do pátio.

Mas causar um acidente sem ter habilitação é crime sim.

E morrer por causa disso... bem, é um grande desperdício de vida.

O trânsito sempre trará situações que exigirão pronta resposta do piloto, e se você não estiver preparado para isso, o resultado será doloroso.

E não só no bolso.  

Um abraço,

Jeff

quarta-feira, 22 de março de 2017

Porque pneu de moto esportiva dechapa tão fácil?

Este piloto do vídeo nasceu de novo quando o pneu dianteiro dele soltou a banda de rodagem (dechapou) a quase 300 km/h e cortou a mangueira flexível do freio.

O quase acidente acontece aos 14:00:


O pneu era novo e a primeira coisa que o pessoal pensa é que o sortudo deu azar, "foi defeito de fabricação".

Tanto que a fábrica fez um laudo que constatou o defeito, substituiu o pneu e pagou o conserto da moto, quando poderia alegar algum descuido do piloto como uma pressão (calibragem) inadequada, algo difícil de provar.

Mas negar um pneu novo iria gerar uma disputa judicial e publicidade negativa muito ruim para a fabricante.

O pneu é este aqui:

O Diablo Supercorsa SP é aprovado pela pirelli para uso até 320 km/h, e a moto só vai até 299 km/h, então tudo bem, né?

Não, não está tudo bem.

A gente volta e meia ouve falar de pneus de motos esportivas dechapando... veja a postagem O caso do pneu michelin dechapado.

Por que um pneu dechapa?

Somando alguns ou todos estes fatores:

– a temperatura do asfalto...

– o acúmulo de calor gerado pelo atrito com o solo...

– a perda de resistência física porque a borracha amolece com o calor...

– os esforços gerados pelas inúmeras irregularidades do asfalto...

– o fato de que a banda de rodagem é aderida a quente e com o pneu quente ela fica mais fácil de se soltar...

– a alta velocidade periférica que gera uma grande força centrífuga para desintegrar o pneu...

– eventualmente uma calibragem inadequada (que além de danificar os flancos do pneu, contribui para seu aquecimento excessivo)...

– aquele fator que eu esqueci e alguém vai me lembrar nos comentários...

– dito e feito, lotes de matérias primas contaminadas que acabam indo para a linha de produção...

– problemas momentâneos com equipamentos durante a fabricação...

... tudo isso tende a soltar e descolar a banda de rodagem da carcaça do pneu, facilitando que ele estoure.

Pneu dianteiro estourado a quase 300 km/h em um autódromo já é um risco enorme, em uma estrada com tráfego é quase uma sentença de você-sabe-o-quê.

Além disso, há um fator fundamental que ninguém considera:

Há uma enorme diferença na utilização de pneus em uma pista de corrida e pneus em uma estrada. 

Ainda mais uma estrada brasileira que mais parece um ralador de queijo...

Dá só uma olhada no asfalto ali do lado para ver o que o coitado do pneu tem que enfrentar em nossas estradinhas pedagiadas...

Sim, aquilo ali atrás na foto é um pedágio arrancando arrecadando dinheiro para a "excelente" conservação de nossas vias públicas...

Agora compare aquele lixo asfáltico com um tapete uma pista feita para receber motos a 350 km/h:

Termas de Rio Hondo é um autódromo argentino que fica na mesma latitude que Floripa, temperaturas semelhantes. 

É uma pista moderna com traçado e médias de velocidade bem interessantes...
Dados: http://www.motogp.com/pt/event/Argentina

Notou uma coisa?

Apesar de as motos atingirem mais de 330 km/h de velocidade na reta, a média de velocidade do circuito é de 168,4 km/h — o que dá 43 minutos de corrida.

E essa média é mantida durante no máximo 120 km.

Depois disso, os pneus vão para o lixo do autódromo.

Aí o pessoal por aqui tira algumas horas no fim de semana pra rasgar o chão...

As motos vão do primeiro posto da Bandeirantes até o Serra Azul... voam baixo na Dom Pedro I... sobrevoam a Fernão Dias... sobem e descem a serra do Tabuleiro... vão e voltam a Petrópolis... descem para Caraguatatuba...

Fazem isso a uma velocidade média muito maior que a do autódromo!

60 km no cacete pra ir, 60 km no cacete pra voltar, já deu a quilometragem de jogar fora os pneus de competição.

"Ah, Jeff tá falando abobrinha, o pneu pra estrada é mais resistente que o pneu de competição!"

Sim, de fato é.

A dúvida é:

Mais resistente, quanto?

Quantas vezes ele vai aguentar essa brincadeira no limite?

E se depois de brincar você precisar voltar para casa via um ralador de queijo como aquele do vídeo?


Com a adrenalina a mil, você vai considerar que uma estrada dessas pode destruir seu pneu fácil, fácil?

Vai resistir a abrir o gás só um pouquinho?

Será que o pneu vai aguentar?

Os casos que o pessoal documenta e sobrevive para contar a história a gente fica sabendo.

Mas muita gente boa teve uma surpresa muito desagradável e não teve como contar pra ninguém...

Também tem outra coisa:

As motos só vão até 299 km/h no velocímetro porque existe um acordo entre as montadoras para desestimular o pessoal a se matar tentando descobrir a velocidade máxima da moto...

Então ela sempre pode chegar mais perto do limite máximo do pneu nos momentos em que o velocímetro marca "só" 299 km/h.


Reportagem: http://www.motorfantastico.com/motociclista-circula-299-kmh-ultrapassado-r1/

Qual a margem de segurança nessa velocidade quando você considera o efeito ralador de queijo?

Quão perto de dechapar seu pneu chega a ficar após longo tempo em alta velocidade e péssimas condições do asfalto?

Isso nenhum engenheiro da fábrica de pneus poderá te dizer, porque cada ralador caso é diferente do outro.

Dica:

Os dados para estimativa de velocidade máxima para os pneus não são feitos em estrada no Brasil...

São feitos em pistas de testes e em autódromos e em dinamômetros/bancadas de teste sem raladores de queijo.

Tipo essas daqui lá na Europa:
Imagem, vídeo e reportagem: http://www.cycleworld.com/metzeler-roadtec-01-motorcycle-tire-review-first-ride

Olha só que asfalto pavoroso só que não da pista de testes usada por uma fabricante de pneus alemã:
Imagem  e reportagem: http://www.cycleworld.com/2015/09/11/continental-sport-attack-3-sportbike-motorcycle-tire-performance-review

"Condições duríssimas" eles têm por lá, né?

Eles nem imaginam o que seja uma estrada pedagiada de terceiro mundo, muito menos uma estrada brasileira sem pedágio, então podem falar em 320 km/h...

Mas aqui no mundo real, qual é a margem de segurança necessária para aguentar o nosso rojão?

Então, por melhor que seja sua habilidade para pilotar, o negócio é nunca confiar demais na sua máquina.

Ela é projetada para condições medianas ou ideais lá no exterior.

Quanto mais perto do limite máximo você a pilotar — ainda mais aqui no Brasil — maior a chance de descobrir um fator que não foi levado em conta nos cálculos dos engenheiros.

Nem nas propagandas para vender pneus.

Sai mais em conta emitir um laudo apontando defeito de fabricação daquele pneu por causa de sdruws mal rebibocados e não se fala mais nisso.

Os departamentos de marketing de montadoras de motos e fabricantes de pneus nunca farão um alerta sobre os riscos de pilotar a moto no limite como este aqui do blog.

Ele salvaria vidas, mas afugentaria compradores para a concorrência e não ajudaria a vender motos nem pneus...

Um abraço,

Jeff
PS1: Agradeço ao meu amigo Daniel que enviou o vídeo! Forte abraço!

PS2: Estava eu pensando que este vídeo e a postagem resultante foi um verdadeiro presente de aniversário, quando entro no google e olha só o que eu encontro:
Um doodle animado do google!!

Fiquei tão emocionado! 

Tão emocionado que nem vou comentar que eu fico mais velho e o google é que fica lelé...
Nem vou falar da raiva que passo em todas as postagens com o blogspot mudando a formatação do texto de acordo com a cabeça maluca dele... nem vou contar que assoprei a tela...

Afinal, hoje é dia de festa!!! 

E vem aí uma nova fase do blog, novidades a caminho!

Abração pra todo mundo,

Eu de novo!