segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Motor travou por rodar 5.000 km com Motul 5100

Vídeo autoexplicativo:



Nem mesmo um óleo bom como o Motul 5100 aguenta tudo isso em uma motocicleta...

Seja qual for o óleo, você precisa repor o óleo consumido.

E 5.000 km é um número lindo para vender óleo, mas não para rodar na sua moto.

Em um carro o Motul 5100 até aguenta 5 mil km, mas não numa moto.

Carro é motor de baixa rotação com radiador de água, a temperatura não passa de 100 graus.

Motos como essa não têm radiador de água, têm radiador de óleo — a temperatura chega fácil aos 170 graus.

A rotação do motor da moto chega ao triplo da que ocorre no motor de um carro, o óleo é muito mais sacrificado, evapora e é queimado muito mais rápido.

Nenhum óleo aguenta 5 mil km sem troca nem reposição — isso é conversa de vendedor de óleo e de vendedor de concessionária.

O primeiro interessado em te vender um óleo mais caro, o segundo interessado em te vender peças de reposição e uma moto nova a curto prazo.

Se você cair nessa, será um pato esfolado — o conserto desse motor sairá quase tão caro quanto a moto original.

Este outro vídeo mostra o momento em que o óleo dessa moto foi escoado e a quantidade de limalha de motor moído que saiu de lá de dentro:


Não faça essa economia besta com o óleo.

Ele é a única coisa que garante a vida do seu motor.

Já comece com o nível correto (não é apenas a quantidade recomendada pela fabricante, o manual das Comet e Mirage 250 também é enganoso em relação à quantidade).

Reponha o óleo consumido e não espere 5 mil quilômetros para a troca se a sua moto não tiver radiador de água.

Aliás, nem mesmo se tiver.

Você viu o estado em que o óleo saiu do motor, uma lama de contaminantes e pó de desgaste do motor.

Enquanto aquela porcaria estiver circulando lá dentro, estará comendo seu motor por dentro.

Um abraço,
Jeff
PS: A propósito, o Motul 5100 é o óleo que a bmw está recomendando para rodar 10.000 km "sem se preocupar com manutenção" no lançamento da G310 R... 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Mecânicos de confiança e manuais de proprietário

Estávamos eu e meu amigo Felizbão cafezando na padoca lá de Santa Catarina (já tem uns 3 anos) quando entrou um cara de capacete na mão.

Como sempre faço, tento alertar o maior número de pessoas para que não tomem prejuízo e não corram riscos.


Perguntei para o sujeito se eu já tinha falado sobre o nível de óleo da moto, e ele disse que já.


Fiquei contente e perguntei se tinha feito diferença...


Ele fez aquela clássica torcida de boca acompanhada daquele gestinho de desprezo com a mão, como quem empurra no ar uma coisa sem importância, e juro que vi um balãozinho em cima da cabeça dele dizendo isso é besteira.


A resposta dele foi:

Nem olhei, eu levo a moto na oficina e deixo na mão do mecânico.

Felizbão fez um jóinha de aprovação e soltou um sorridente "é isso aí!"

Como eu tento me convencer de que sou uma boa pessoa e me esforço (só um pouquinho) para não desejar mal a ninguém, torço para que esse sujeito (e meu amigo Felizbão) levem sempre suas motos a bons mecânicos.

Depois que o tal sujeito foi embora, Felizbão quis provar que eu estava errado e começou uma pesquisa na internet. 


Felizbão disse que é a coisa mais fácil encontrar muita gente disposta a ajudar os novatos com postagens ou vídeos ensinando a trocar o óleo da moto:


Pô, Felizbão...

Kansas com 1 litro de óleo???

Falei para ele que eu tinha uma Kansas e que colocar só 1 litro de óleo e medindo do jeito certo não chegava nem no mínimo da vareta... o dono dessa moto já perdeu esse motor há muito tempo.

Ou então passou pra frente achando que deu azar, que é o que todo mundo faz...

Felizbão não se convenceu e continuou sua pesquisa, e me veio com essa postagem de um mecânico bastante experiente:
Trocar o óleo da moto e colocar apenas 900 ml de óleo, nem uma gota a mais, não colocar o litro todo, apenas 900 ml, enroscar a vareta e pronto, pé na tábua e boa viagem...

E ele enfatizou bastante os 900 ml...


— Pois é, Felizbão...

O cara é mecânico de motos, ganha a vida consertando motos, só faltou aproveitar para fazer propaganda da oficina dele, né?

Dizer algo como: 

Quando sua moto tiver algum problema, me procure.


Hummm... 900 ml e nem uma gota a mais? 

Tá serto, vai nessa que é suça...

Outras pessoas simplesmente arrotam na internet o que pensam que sabem, falam para fazer procedimentos em total desacordo com o manual do proprietário, e criticam quem fala para ler o manual... contradição total. 

Ignorância ou má fé. Ou burrice mesmo.

O tal blogueiro tipo Teo Pereira é o escriba que vos tecla neste momento. Esse comentário patético foi postado em algum lugar do blog que nem me lembro mais.
A propósito, "arrotos errôneos" seria um bom nome para uma banda de rock. 

Felizbão, Felizbão... você pelo menos conferiu o que diz a fabricante da moto?


Afinal as concessionárias autorizadas entendem — ou deviam entender — melhor do que ninguém da sua moto.


Lá eles seguem — ou deviam seguir — as instruções da fabricante e fazem tudo direitinho. 


Pelo, menos, é o que se espera que façam.

Olha só o que o novo manual da CG 125 fala sobre a quantidade do óleo na página 59:


Bom, essa informação é mais recente que a do mecânico experiente lá de cima.

E entre colocar 900 ml e 1 litro, se eu fosse você, colocaria 1 litro e verificaria o nível de óleo, como manda o fabricante.

Agora o curioso é que a fabricante fala para medir, mas não fala nada na mesma página sobre como medir o nível logo depois de trocar o óleo. Facilitava, né?


Felizbão não se conteve:

— Bah, não tem mistério, é só tirar a vareta, limpar e colocar de novo... todo mundo sabe disso. 

Uma única vez eu medi assim logo depois de colocar 1 litro de óleo e o nível deu lá em cima, bateu certinho...


— Felizbão, algum dia você leu o manual?


— Não precisa, moto é tudo igual e todo mundo sempre colocou 1 litro de óleo. Todo mundo faz assim desde sempre.

— Tá bom, Felizbão... só que eu não sou assim. Eu leio o manual para ver se não tem alguma informação a mais, alguma pegadinha que ninguém notou até agora.

E olha lá a instrução, ele fala para você sair da página 59 e voltar duas páginas para ler a página 57.

Felizbão disparou:

— Orra meu, baita asneira... 
Conferir o nível do óleo para quê? 

Se eu acabei de colocar 1 litro de óleo, como manda o manual? 


1 litro é 1 litro, né?

Não pode colocar mais que 1 litro, então vou medir pra quê?


— Não, amigo Felizbão, você não leu a informação mais importante.

Ela está bem ali, tão discreta que você nem deu bola — porque está na página 57.


O que você encontra escrito lá na página 57?

Na página 57 você encontra uma grande ATENÇÃO falando sobre o consumo de óleo durante a utilização da motocicleta.

— Bah, minha moto é nova, não faz fumaça, não queima óleo, n
ão tem nada a ver isso aí... 

Acabei de trocar o óleo, nem liguei o motor, como é que vem falar em óleo consumido? Se liga, meu!


Perda de tempo, cara! 


— Engano seu, Felizbão leitor feliz que só lê a primeira linha!

Não se afobe! 


Se o manual mandou voltar e ler, faça o que o manual diz... 


Leia tudo, apesar de a informação aparentemente ser contraditória — pode ter alguma coisa ali que você ainda não percebeu...

Lá também está escrito que para ver o nível do óleo não é só retirar e conferir a vareta — o vendedor mentiu para você.


Se o motor estiver frio, você tem que ligar o motor. 

Aquele dia que você conferiu e o nível deu lá em cima, você não mediu do jeito certo como fala no manual...

A fabricante mandou ligar e desligar o motor, e colocar mais óleo que a quantidade recomendada até atingir o nível correto, então é isso que você tem que fazer — no seu interesse, não pule essa etapa.


E continue lendo, que o texto continua na página 58.

— Mais perda de tempo, meu!

A página 58 fala sobre colocar óleo se o nível estiver "abaixo ou perto da marca inferior".


Isso nunca que vai acontecer porque eu acabei de colocar a quantidade recomendada pelo fabricante, 1 litro de óleo, e o nível fica lá em cima, um dia eu conferi. 


— Conferiu direito, Felizbão?


Tem certeza disso?


Você põe sua mão no fogo de que você está certo?


Olha lá, hein? 


O mecânico lá de cima não inventou aqueles 900 ml, essa era a quantidade que a honda mandava colocar nas primeiras CGs... e aí?


Apesar de isso ser falado em outra seção e parecer ser um assunto totalmente diferente, o manual diz que se o nível estiver baixo, você precisará completar até o nível máximo da vareta, certo?


Se o manual mandou verificar, não custa verificar, né?


E se por acaso ele estiver baixo?

Ah, mas ali fala que só precisa ligar o motor se estiver frio, e quando eu troquei o óleo a moto tava quente, então não preciso ligar o motor pra conferir...


Errado, muito errado, meu caro desconhecedor de noções básicas de Mecânica. 


Ao colocar o óleo ele fica todo lá embaixo no cárter e o nível parece lindão na vareta / visor. 


Mas você precisa ligar o motor para encher a bomba de óleo, os dutos e o filtro de cartucho (caso das suzuki e várias motos de grande cilindrada) ou o filtro centrífugo (hondas, dafras, traxxes, shinerays, etc. de pequena cilindrada).

Só aí é que você vai ver o nível correto da maneira que a fabricante determinou — e não do jeito que te ensinaram. Errado.

A propósito, você lembra quem foi que te ensinou que para medir o nível era só tirar a vareta e medir igual se faz nos carros?


Porque todo mundo parece receber essa informação, e eu não consigo descobrir de onde ela vem...


Como é que ela se espalhou pra todo mundo, apesar de nos manuais de proprietário estar escrito coisa diferente?

Se você lembrar quem te falou isso, promete que me conta quem te passou essa informação errada? E de onde essa pessoa tirou isso?


Fico grato antecipadamente. 


Mas voltando à vaca fria:


Uma coisa que você não sabe, e isso não é informado no manual, 
é que depois de ligar o motor o óleo vai abaixar bastante na vareta / visor... e é aí que mora o perigo. Poxa, por que não informam isso? Economia de tinta? Economia besta, só uma dúzia de palavras. 


Então o Felizbão me disse: 


Mas se o fabricante falou para colocar 1 litro e eu fiz o que ele mandou, coloquei a quantidade recomendada de 1 litro, é besteira conferir, não é


1 litro é 1 litro...

Para ficar na segurança e não no achismo, só por via das dúvidas:

Experimente fazer a coisa exatamente como está escrito no manual logo de manhã cedo no dia seguinte que você trocou o óleo ou a moto voltou da revisão da concessionária... ou chegou zero km.


Se por acaso (por mero acaso) o nível estiver baixo, você já aproveita para fazer aquilo que está escrito no manual: complete até a marca superior.


Porque no manual está escrito que se o motor funcionar com pouco óleo ele será danificado. 


O que não está escrito no manual é que um motor com pouco óleo pode travar ou perder a potência no meio da estrada, com grande chance de causar um acidente. 


Taí uma Kansas que rodava só com 1 litro colocado na concessionária, viu só o que aconteceu lá no alto da serra de Ubatuba?


Motor fundido com apenas 7.623 quilômetros, ainda na garantia com óleo sempre trocado em concessionária...

Essa Kansas não era da nossa turma, nós a encontramos por acaso parada no acostamento bem na hora em que o motor fundiu. 

Naquele dia as nossas Kansas com 1,4 litro de óleo foram de São Paulo até Trindade no Rio de Janeiro — e voltaram numa boa.

— O que acontece é o seguinte, Felizbão (disse eu):

Na hora da troca com o seu motor totalmente quente, você coloca o óleo e ele se dilata, fica alto na vareta medidora ou enche o visor de nível de óleo.

Mas as galerias, bomba e filtro (e até o radiador de óleo nas motos que usam) estão vazios.

Depois que você liga o motor, o nível abaixa e abaixa muito, e demora um tempão para voltar a subir.


Mas isso não é tudo:

Experimente medir o nível no dia seguinte pela manhã exatamente como o manual manda fazer — com o motor totalmente frio, e aquecendo no máximo por apenas 5 minutos como manda o manual
(porque 5 minutos mal dá para aquecer o motor, o óleo não chega a se dilatar totalmente).  

Se por um "acaso misterioso" você encontrar o nível lá embaixo, perto da marca de nível mínimo, ou até abaixo dela, não deixe de completar exatamente conforme orientado pelo seu manual de proprietário do seu modelo de moto.


Depois você volta aqui e diz o que você descobriu por si mesmo, e não porque eu falei.


Mas deixo uma dica:


Não espere o nível ficar abaixo ou perto do mínimo não... nem sei porque as fabricantes recomendam isso...


Elas mesmas falam que rodar com o óleo baixo prejudica o motor.

Aquela faixa que tem na vareta ou no visor de nível de óleo se chama faixa de segurança.


Rodar com o óleo no nível mínimo ou abaixo da faixa de segurança não traz nenhum benefício para o motor. 


Se eu fabricasse motos, nunca que eu recomendaria para um cliente meu esperar o óleo chegar ao mínimo ou abaixo dele.
Afinal, sou um cara honesto.

Recomendaria reabastecer de óleo assim que o nível chegasse na metade da faixa para não dar chance de o motor rodar com óleo baixo e esquentar demais.

Uma vez a minha moto, com o óleo no nível certo, foi obrigada a ficar uns 5 minutos ao lado de um caminhão com outro atrás colando o para-choque. 

Eu não conseguia ultrapassar, nem sair da frente... o jeito era acelerar ao máximo porque o cara atrás estava rebitadão.

Assim que deu brecha, fui para o acostamento. 

O motor estava tão quente que não dava mais para mudar as marchas, mais um pouco que ficássemos ali, o motor travava e nós tínhamos virado notícia: "motociclista perde controle e é atropelado".

Se o nosso motor quase travou com a quantidade certa de óleo, um motor com nível baixo certamente teria se travado.

E por isso que é tão importante manter o nível de óleo sempre lá na marca de nível superior. 

Eu só gostaria que a honda* explicasse o motivo de o manual do proprietário não mandar SIMPLESMENTE LIGAR O MOTOR DEPOIS DE ABASTECER antes de conferir o nível de óleo.**

Se essa informação estivesse no manual, ninguém rodaria por aí com o óleo no mínimo e os motores durariam muito mais.

*Cito a honda por ser a autora do manual usado para explicar o procedimento confuso e incompleto, mas todos os outros fabricantes fazem coisa parecida.
** Esta postagem foi escrita ainda em Santa Catarina há uns 3 anos. Depois disso a honda atualizou os manuais e agora o procedimento diz exatamente aquilo que eu cobrava aqui.

A honda e demais fabricantes certamente sabem o que fazem, e devem ter seus motivos pra isso — quem sou eu para falar alguma coisa, né?

Sou apenas um consumidor motociclista que comprova as coisas na prática porque é o meu patrimônio e a minha vida que estão investidos nessas máquinas.

Agora, Felizbão, se depois de tudo que eu falei, você não ficar disposto a pelo menos conferir na sua moto o que eu estou dizendo, faça o seguinte:


NÃO FAÇA NADA!


Não se preocupe com isso, saia por aí despreocupado e dizendo que eu sou um imbecil que não conhece o manual do proprietário.


Que tenho total falta de conhecimento de motores (apesar de ser técnico em Mecânica Industrial com especialização em Manutenção de Máquinas).

E que invento coisas porque tenho a imaginação fértil...

E continue levando a moto lá no seu mecânico de confiança.

Afinal nível de óleo é uma coisa pessoal, cada um coloca quanto óleo quiser, continue fazendo como sempre fez porque acha que é o certo — apesar de o fabricante dizer o contrário... a moto não é minha mesmo! 


Não sou eu quem vai estar em cima da sua moto se o motor fundir no alto da serra ou travar no meio de uma BR... 


E quando sua moto tiver problema, não me procure.

Felizbão não se conteve:

— Ah, vai me dizer que você é louco de botar mais óleo do que o fabricante manda?


Sou sim, porque não sou burro.


O fabricante manda colocar mais óleo até atingir o nível correto.

E fiz e continuo fazendo muitos bons amigos graças a essa minha "loucura" de obedecer o manual do proprietário.

Amigos tão loucos quanto eu e que um dia resolveram sair de São Paulo e dar um pulinho nas três fronteiras com suas Kansas 150, todas com 1400 ml de óleo...

...apesar de o manual do fabricante mandar colocar apenas 1 litro (e o sac da empresa dizer que não pode colocar nem uma gota a mais do que 1,2 litro, que é a capacidade máxima declarada por eles).

A propósito, fomos e voltamos metendo o pé na tábua enrolando o cabo e fizemos uma ótima viagem, e estamos rodando até hoje sem retificar o motor, ok? 

E depois disso Jezebel ainda trouxe minha mudança para Floripa na garupa... me levou daqui até o Rio de Janeiro... me levou daqui a Ilhabela... Santo André e Campinas várias vezes... 83 mil km de bons serviços.* 

*83 mil km na época que criei a postagem... agora em 2017 ela está na casa dos 100 mil km, e poderia estar com uns 110 mil km se nesse meio tempo eu não tivesse rodado 10 mil km cravados com a Edith, minha saudosa Fenix Gold...

— Ô, loco, meu! 


Tua moto anda com 1 litro e 400 de óleo? 


E não estourou retentor, não estourou junta, não deu vazamento?


— E por que iria estourar, por que iria vazar, Felizbão???


O motor das Kansas comporta todo esse óleo porque é maior que o motor das CG Titan e Fan.



Esse óleo extra é necessário para lubrificar o balanceiro, onde cabem uns 200 ml de óleo a mais do que nas CG. 

Com 1400 ml ela roda com o nível de óleo correto conforme o manual, e não com excesso.


Motor com o nível de óleo certo funciona bem que é uma beleza.


Felizbão foi embora e, sinceramente, não me pareceu convencido.

Escutei ele murmurando alguma coisa que me pareceu que ele dizia que eu era um débil mental...

Felizbão, Felizbão... 

Um dia ele vai descobrir na moto dele que não vale a pena deixar de ler o manual do proprietário.

Um abraço,

Jeff

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Um acidente muito dramático

Você está passeando por uma estrada super tranquila quando encontra uma moto caída no meio da pista.

Assista, porque você não imagina o que acontece em seguida:


Se você disse que o pessoal errou em remover a vítima, o errado é você.

O fogo ia se alastrar rapidamente pela mata, e se não fosse a ação do socorrista, o piloto acidentado poderia ter morrido queimado.

Em uma situação como essa, a vítima certamente está com fraturas que podem se complicar com a movimentação.

Mas entre morrer queimado e sobreviver com sequelas, certamente ele escolheria a segunda.

Os próprios socorristas estavam correndo o risco de ficarem presos na mata em chamas... 

A fumaça e o gás carbônico resultante da queima limitam o oxigênio para respirar e podem fazer o pessoal desmaiar rapidamente.

Tudo é questão de pensar rápido e agir da melhor maneira possível, considerando os riscos à vítima e, fundamentalmente, a você mesmo.

Afinal, você não pode se tornar outra vítima necessitando de socorro.

O que causou o acidente?

Excesso de velocidade de alguém.

As duas motos se chocaram porque alguém desgarrou na curva.

Um passeio tranquilo por uma estrada tranquila pode virar o seu maior pesadelo por conta de uma bobagem de alguém.

Não seja você a cometer essa bobagem.

Um abraço,

Jeff
PS: Encontrei este vídeo no final de uma coletânea, então acho justo mencioná-la. 

Além deste acidente mostrado no final da coletânea, são outros 20 casos bem ilustrativos de coisas para não se fazer em cima de uma moto:


Bom aprendizado,

Eu de novo

domingo, 3 de setembro de 2017

bmw G310R ameaça ferver em 9 minutos... e a desculpa que deram é uma piada de mau gosto.

Eu disse naquela postagem que os problemas da bmw G310R começariam a aparecer no máximo até janeiro de 2018, mas eu estava errado — a bmw está batendo todos os recordes! 

Durante um test ride da recém-lançada G310R, o motor ameaçou ferver com pouco mais de 9 minutos de funcionamento... 
Imagem: Vídeo no youtube no link: https://www.youtube.com/watch?v=NxQpOkT7FiI

E o motor começou o teste completamente frio, era o primeiro test ride do dia — abriram a loja antes do horário normal para ele pegar a moto, como foi dito aos 01:00.

Pior do que o motor ter dado alerta de superaquecimento foi a "explicação" que foi dada pelo vendedor da concessionária:
Imagem: Vídeo no youtube no link: https://www.youtube.com/watch?v=NxQpOkT7FiI

A concessionária disse que a moto estava em "modo Transporte" para "bloquear várias funções da moto incluindo o sistema de arrefecimento".

Sei, sei... tá, bom... conta outra, dona bmw, porque essa de bloquear o sistema de arrefecimento não dá pra engolir não.

O tal "modo Transporte" é uma função eletrônica que realmente existe e é usada apenas durante o transporte de motos e carros entre a fábrica e as concessionárias...

Ele serve para não drenar a bateria enquanto os funcionários movimentam as motos e carros nos pátios de estocagem.

Você não precisa acender farol para pequenos percursos nos pátios da fábrica e das concessionárias, já que a moto não vai circular no trânsito.

E nesses locais ninguém trabalha à noite, concorda?

Então funções que descarreguem a bateria sem necessidade são capadas (ui!!) temporariamente, inclusive para evitar que alguém esqueça alguma coisa ligada. Ou um vidro aberto, no caso dos carros.

Depois a concessionária reativa essas funções antes que os veículos possam ir para a rua — é a chamada revisão de entrega, onde também completam os níveis de óleo e líquido de arrefecimento.

Mas o fato é:

Aquela moto não estava em "modo Transporte", isso foi apenas a melhor desculpa encontrada pelo pessoal de vendas para tentar justificar o aquecimento injustificável.

(E quase conseguiram, mas eu sou um cara chato pra dedéu...)

Se aquela moto estivesse mesmo em "modo Transporte", várias funções do sistema elétrico estariam bloqueadas — inclusive a ventoinha do radiador poderia sim estar desativada...

Mas isso não é verdade porque uma função muito mais gastona de energia da bateria e que visivelmente (e bota visível nisso) não estava bloqueada era esta aqui:
Imagem: Vídeo no youtube no link: https://www.youtube.com/watch?v=NxQpOkT7FiI

O farolzão aceso é a prova definitiva de que a moto não estava em "modo Transporte".

Quando o "modo Transporte" é desativado, o veículo entra no "modo Normal", não existe meio termo.

Veja neste vídeo curto como a coisa funciona em um carro:

Ou está em "modo Transporte", ou não está, simples assim — não existe bloqueio individual de um sistema ou outro, é uma função geral pré-programada.

E principalmente, não tem como existir bloqueio eletrônico do sistema de arrefecimento.

Como em todas as motos, exceto um único caso que fiquei sabendo, a bomba de água do sistema de arrefecimento da G310R gira mecanicamente acionada por engrenagens ligadas ao virabrequim. 
Imagem: http://parts.bmwmotorcycles.com/a/BMW_2017_G/_51507_6971251/Engine-housing-cover--right/11_6628.html

Não tem nada eletrônico na bomba de água.

Enquanto o motor funciona, a bomba fica girando e circulando o líquido de arrefecimento o tempo todo — não tem essa de precisar ser tirada do "modo Transporte".

Como em todas as motos, a válvula termostática da G310R libera a circulação de água para o radiador quando atinge uma determinada temperatura.

A termostática é de acionamento puramente mecânico, funciona por dilatação térmica da válvula — não tem essa de ser tirada do "modo Transporte". 

Não tem nada eletrônico na válvula termostática.

A ventoinha elétrica entra em funcionamento automaticamente depois que o motor atinge uma determinada temperatura.

Quem determina isso é um simples termostato elétrico que também funciona por dilatação térmica e ativa um relé, que poderia estar desativado por causa do "modo Transporte"...

Ou então o sensor de temperatura do líquido de arrefecimento envia um sinal para a ECU interpretar e ativar o relé.

Mas como vimos, a moto não estava mesmo nesse modo, senão o farol não se acenderia, ponto final.

O grave é que o motor não pode se superaquecer em tão pouco tempo e com tão pouco uso — foi a primeira saída da moto naquele dia.

Nada justifica aquele aquecimento tão rápido — mesmo que a válvula termostática não estivesse funcionando normalmente, o motor não deveria atingir uma temperatura tão elevada tão facilmente.

E o funcionamento perfeito é o que se espera de uma moto zero km — afinal, ela foi testada e aprovada na fábrica e na concessionária antes de chegar ao cliente...

Algo está muito errado com aquela moto.

O motor superaquecer em tão pouco tempo é sintoma de algo muito mais grave do que a ventoinha estar desligada por uma simples falha de conexão elétrica. Moto zero km com qualidade alemã e falha de conexão elétrica? Difícil, hein?

Então qual é a causa fundamental do aquecimento?

Eu sei de duas coisas que causam aquecimento excessivo do motor em motocicletas zero km mesmo em pouco tempo e com pouco uso:

1) Nível de óleo insuficiente 

2) Nível de líquido de arrefecimento insuficiente

Não seria a primeira vez que uma bmw superaquece em um pequeno trajeto por falta de água e óleo ao sair da concessionária:

Denúncia: Postagem http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2016/09/como-nao-perder-seu-motor-zero-km-e.html

O dono da moto acima tirou a moto zero km da concessionária e ela ferveu ao chegar em casa porque estava com níveis baixos de óleo e água. A denúncia completa da falta de 650 ml 580 ml de óleo você lê nesta postagem aqui.

E certamente não terá sido a última...

Poderia ter acontecido com esse proprietário o mesmo que quase matou este outro:
Reclamação completa: https://www.reclameaqui.com.br/bmw-motorrad-brasil/comprei-uma-motocicleta-bmw-f800-gs-adventure-e-ela-nao-presta_m-g1GmYJW4hYc6xA/

Pois é, falta de óleo suficiente no motor pode estourar um motor com apenas 1.000 km, e as concessionárias da bmw — e não só da bmw — permitem que isso aconteça.

No que você vai acreditar?

No tal "ajuste de modo Transporte" que bloqueia funções da moto inclusive — magicamente, pateticamente e inutilmente — o sistema de arrefecimento, mas não o farol e a lanterna?

Ou acreditará na muito mais provável falta de líquido de arrefecimento e óleo suficientes no motor porque o pessoal da concessionária não fez o serviço direito durante a revisão inicial?

Não fez por descuido ao efetuar o único trabalho que é a razão da concessionária existir?

Ou por costume de não fazer corretamente esse serviço como venho denunciando há anos aqui no blog?

A bmw que se explique, porque esses casos estão ficando muito feios para ela.

Usar a troca de óleo a cada 10 mil quilômetros "sem se preocupar com manutenção" como argumento de vendas de uma moto que se diz "premium" (no Brasil, porque no resto do mundo é apenas uma moto de pequena cilindrada como outras) é uma apelação irresponsável e inconsequente.

Entregar as motos com óleo e líquido de arrefecimento insuficientes, uma prática comum na indústria de motocicletas, somada a essa quilometragem para troca do óleo absurda, são a receita para um desastre — vidas estão em cima dessas motos, dona bmw.

E se você, leitor, acha que o rapaz abusou da moto e essa foi a causa de ela sinalizar temperatura excessiva em 9 minutos, veja o vídeo completo e tire suas conclusões:


Aproveite para comparar o ronco triste dessa pobre moto aí de cima com o desta outra G310R idêntica aí embaixo.

Pelo ronco, esta outra aparentemente está com o nível correto de óleo e líquido de arrefecimento (e NÃO acendeu a luz de advertência de temperatura no test ride):


Pelo ronco do motor a gente percebe que aquela primeira moto está quase sem óleo e muito provavelmente com muito pouca água.

Eu pensei que já tinha visto de tudo em todos esses anos nesta indústria vital, mas essa desculpa incrível mente esfarrapada do "modo Transporte" certamente foi a mais criativa.

Abra o olho e fique esperto, porque o pessoal é ligeiro em arranjar desculpas... e jogar o abacaxi na sua mão.

Um abraço,
Jeff

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A kawasaki tomou juízo, a bmw ainda não aprendeu a lição

A kawasaki do Brasil tomou juízo quanto ao intervalo de troca de óleo recomendado, enquanto a bmw ainda não aprendeu uma dura lição...

O triste é que essa lição será tomada com gente se machucando e se dando muito mal por conta de uma política de vendas totalmente errada.

Não se negligencia a segurança em motocicletas.

Usar como argumento de vendas 10 mil km sem manutenção do óleo do motor — denunciado na postagem de ontem — colocará a vida de muita gente em perigo.

Quem está há mais tempo no mercado brasileiro já percebeu que a coisa por aqui é séria e diferente do resto do mundo, e já tomou atitude para livrar a própria cara. 

Lembra daquela postagem sobre os 12 mil km da troca de óleo das kawasaki?
Imagem: Postagem http://minhaprimeiramoto.blogspot.com.br/2017/04/os-12-mil-km-da-troca-de-oleo-da.html

Conforme alertado pelo leitor Sergio Brunner, que me enviou a imagem abaixo e a quem agradeço muito, a kawasaki do Brasil não embarcou nessa onda de 12 mil quilômetros para troca de óleo da matriz.

O pessoal no Brasil teve o bom senso de determinar a troca de óleo com a metade da quilometragem recomendada lá no exterior:

O manual brasileiro recomenda a troca de óleo e do filtro de óleo a cada 6 mil km, e não os absurdos 12 mil km determinados no Japão.

Mas são 6 mil km mesmo?

Não.

Você leu as letras miúdas da observação nº 2?

"Efetue o serviço (troca de óleo e filtro de óleo) com mais frequência quando pilotar a motocicleta em condições severas: regiões com muita poeira, úmidas ou lamacentas, pilotagem em alta velocidade ou com partidas/paradas frequentes."

Ora, essa é praticamente a condição de pilotagem de todas as Ninja, na estrada ou em trânsito urbano... que outra condição existe?

Aliás, é a condição de pilotagem de praticamente qualquer motocicleta...

Fora disso, só aquelas motocicletas que ficam sempre no mesmo lugar:
Imagem: http://www.bellecityamusements.com/our-midway/

Na prática, a kawasaki do Brasil está falando sem dizer para fazer a troca do óleo e filtro a cada 3 mil km...

Ou seja, reduziram de 12 mil km para 6 mil km, mas se você não quiser ter problemas, troque o óleo e o filtro de óleo a cada 3 mil km...

Enquanto isso, a bmw usa como argumento de vendas o "óleo mágico" para 10.000 km sem manutenção...

"Maior economia com menor custo de troca de óleo."

Onde foi que já ouvi isso antes?

Ah, lembrei!

A honda começou com essa história do "óleo mágico" para 3 mil, depois 4 mil e agora 6 mil quilômetros usando como argumento de vendas a maior economia de manutenção.

Deu no que deu para as motos pequenas de arrefecimento a ar e a ar/óleo CB 300, XRE 300, Titan, Fan, Bros... 

Jogaram a imagem da honda lá no chão, tiveram que trocar os motores, e nem assim os problemas acabaram porque foram potencializados pela adoção de um óleo inadequado para o Brasil.

Pelo menos a kawasaki caiu na real e teve o bom senso de se adequar à realidade nacional.

Fato:

Os proprietários brasileiros não se ligam em detalhes de manutenção e não repõem o óleo consumido.

Aliás, nem medem o nível de óleo da moto.

Quando medem o nível de óleo, sempre medem do jeito errado, sem ligar e desligar o motor, conforme foi ensinado nas concessionárias... ops!

Caramba, as concessionárias ensinam errado uma coisa tão importante, né?

As montadoras deviam prestar atenção nisso, está fazendo muita gente estragar o motor com baixa quilometragem e até correr risco de vida nas estradas...

Mas o fato é que o pessoal da kawasaki sabe que a turma usa as motos para chinelar no fim de semana, e sabem perfeitamente que óleo velho com nível baixo pode dar uma grande колбаса, tanto é que publica em todos os seus manuais:

Mais cedo ou mais cedo ainda, a bmw também vai descobrir que usar como argumento de vendas um óleo que aguenta 10 mil km sem manutenção não compensa.

Os proprietários leigos interpretarão "sem manutenção" como "sem preocupação de repor o óleo consumido" — o que colocará a vida dos usuários da moto em perigo.

O artifício de dizer que "proprietários que percorram longas distâncias poderão ter de trazer as motocicletas para revisão antes da próxima data programada" — na prática, a cada 5.000 km — não funciona no Brasil.

Os proprietários rodarão 10.000 km sem nem mesmo conferir o nível de óleo. 

Motores começarão a estourar ainda este ano, mais tardar em janeiro de 2018, anote o que estou dizendo.

Os riscos envolvidos não só para os usuários — que verão seus motores travarem e estourarem em alta velocidade na estrada — como para a imagem da marca e seus produtos, não compensam as vendas iniciais.

Pelo visto, a kawasaki do Brasil já descobriu. Mas suas concessionárias continuam entregando as motos da revisão sem óleo suficiente... 

Muita gente vai dançar graças a essa política de vendas totalmente errada da bmw.

O negócio é rezar para ninguém morrer por conta disso.

Um abraço,
Jeff